Economia Circular

Economia Circular

 

propõe-se a reduzir a utilização de matérias-primas virgens (extraídas diretamente do planeta) através da reintrodução de materiais já usados na produção de novos materiais, maximizando a utilização dos recursos naturais, aumentando a eficiência dos processos produtivos e minimizando a produção de resíduos.

Inspira-se nos mecanismos dos ecossistemas naturais, que gerem os recursos a longo prazo num processo circular onde se reabsorve os recursos nos processos de produção.

Na Economia linear, modelo económico tradicional, os recursos são consumidos numa lógica descartável e sem o foco na durabilidade e nas estratégias de eficiência, redução e reaproveitamento dos recursos. Este modelo baseia-se em quatro passos: extrair, transformar, consumir e descartar, o que tem vindo a agravar o problema da excessiva extração de matérias-primas da natureza tendo enormes impactes ambientais associados, elevados consumos de água e energia não só na fase de extração mas também de transporte, transformação e fabrico dos produtos, para além da própria escassez dos recursos, que são finitos.

Equadramento

Tendências Globais

  • Aumento da População mundial – atualmente 7,6 biliões;
  • Recursos finitos: a economia global está a usar cerca de 1,5 planetas terra de recursos para satisfazer as atuais exigências de produção e consumo (65 milhões ton extraídos);
  • Dependência da UE na importação de matérias-primas;
  • Volatilidade dos preços das matérias-primas;
  • Riscos ambientais (GEE, água, perda de biodiversidade,…);
  • Produção excessiva de resíduos: dos 11 mil milhões de ton de resíduos em todo o mundo, apenas 25% são recuperados e encaminhados para o sistema produtivo.

A temperatura média global do planeta, desde 1880 até 2012, aumentou 0.85°C, o que tem tido impactes significativos na agricultura, no aumento do nível das águas, levando a catástrofes naturais e a deslocações massivas, impactando principalmente os países subdesenvolvidos mas também os desenvolvidos.

Nos anos 80, começou-se a falar da necessidade dos países desenvolvidos assumirem o compromisso de reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa e definiram-se as medidas que deveriam constar no protocolo de Kyoto. Mais recentemente, foi adotado o acordo de Paris no COP21, em 2016, sendo o 11º encontro dos países envolvidos no Protocolo de Kyoto, pela temática das alterações climáticas entre outras temáticas relacionadas e que afetam o ambiente e as populações.

Governos, empresas e a sociedade civil junto com as Nações Unidas desenvolvem uma agenda conjunta para o desenvolvimento sustentável, desta vez com meta no ano 2030.

Apesar da intenção manifestada nestes acordos, a redução dos impactes ambientais decorrentes dos modos de vida das populações, principalmente nos países desenvolvidos, ainda fica aquém do assumido através das metas estabelecidas o que aumenta a urgência da transição.

Hoje falamos duma Economia Circular reconhecendo que o metabolismo da “atual” economia (linear) está de costas viradas para os interesses ambientais. Vivendo e motivando o consumo excessivo, incentivando a exploração dos recursos cada vez mais intensamente, transformando-os em produtos que serão eventualmente largados no ambiente sob a forma de lixo. Como resultado, as matérias virgens esgotam-se e o lixo acumula-se. Hoje vivemos numa sociedade para muitos, mais confortável, com mais acesso, mas também mais descartável e materialista, desvalorizando-se os recursos naturais assim como os produtos que hoje temos cada vez mais acesso.

Principais Desafios a nível Europeu

  • Desafios técnicos para fechar os Ciclos
  • Energia para a economia circular
  • Tempo para inovação, investigação e desenvolvimento
  • Mercado para os materiais
  • Politicas de gestão de recursos
  • Parcerias entre diversos actores – Cluster

O caminho para a Economia Circular

A Economia circular, e em consonância com as evidências firmadas no Protocolo de Paris, compromete-se a um aumento da utilização das energias renováveis no mix energético, aumento da eficiência energética e prevenção da desflorestação através de medidas como a reutilização de materiais, reduzindo o consumo de matérias virgens e de combustíveis fósseis.

Reduzir, partilhar, reutilizar, reparar e reciclar produtos e materiais existentes são base para manter a utilidade dos componentes e materiais dos produtos aumentando o seu tempo de vida útil. Isto remete-nos para o design industrial dos produtos que deverá ser desenvolvido numa lógica de incremento da sua eficiência produtiva, da durabilidade e capacidade de reutilização.

Os resíduos gerados a partir dos produtos que consumimos são tão mais fáceis de tratar/reutilizar quanto mais simples for o produto.

Os diferentes materiais utilizados, as tintas e a forma como são agregados uns aos outros vai definir a dificuldade de poder substituir peças específicas, a durabilidade, a facilidade de reparação, reutilização e/ou, no fim de vida do produto, a forma como podemos integrar os diferentes materiais noutros produtos.

A escassez de matérias-primas, derivada da sua excessiva extração, bem como a dependência dos recursos e da energia, expõe os países e as empresas a riscos relacionados com a volatilidade dos preços e interrupções no fornecimento dos recursos.

Com este novo modelo económico, circular, diminuem-se estes riscos, desenvolvem-se novos modelos de negócio, reduzem-se custos e impactes ambientais, criam-se novas oportunidades empresariais e formas inovadoras e mais eficientes de produzir e consumir.

Esta transição, pela sua natureza disruptiva e transformadora, não é um processo fácil ou rápido. Muitas barreiras, normativas, financeiras e mesmo sociais vão apontar desvantagens nos novos modelos face ao business as usual. No entanto a transição, se assumida e implementada, trará a longo prazo largos benefícios gerados em produtividade, emprego e ambientais.

O contexto Nacional

As oportunidades

  • Desenvolvimento crescente de modelos baseados na utilização de bens product-as-a-service;
  • Prolongamento da vida do produto em ciclo fechado, em actividades económicas com uma vida alagada de produtos (manutenção, reparação. aluguer);
  • Concepção de produtos com o fim de os re-conceber;
  • adopção de princípios de ecodesign;
  • Desenvolvimento de novos mercados de matérias-primas secundária;
  • Inovação no âmbito de infraestruturas logísticas inteligente, em plataformas digitais de partilha;
  • Potencial existente para a valorização de RUs;
  • Estratégias colaborativas entre intervenientes nos processos de circularidade;
  • Utilização da boa capacidade do SCTN e na recente dinâmica de desenvolvimentos científicos e tecnológicos;
  • Tendência de médio prazo para o aumento da volatilidade dos mercados de matérias-primas;
  • Reconhecimento das gestão de resíduos como prioridade para a política de ambiente e
  • Pacote de políticas de incentivo à transição para maior circularidade na economia.

As mais recentes medidas promovidas pelo ministério do Ambiente, a janeiro de 2017 desenvolvem-se a 3 níveis:

Político: instrumento de promoção do uso eficiente de recursos ao longo da cadeia de valor, desde a concepção à valorização de subprodutos e resíduos nomeadamente o desenvolvimento do Plano de Ação para a Economia Circular, Estratégia Compras Públicas Ecológicas, E-Gar e as novas licenças de fluxos específicos.

Conhecimento: disseminando e promovendo melhores práticas, oportunidades de financiamento e dinamização agentes para projetos colaborativos como exemplo principal a criação e dinamização do portal eco.nomia – onde se  reúnem as partes interessadas e a sociedade civil dos setores público, semi público ou privado, ligadas à eficiência na utilização dos recursos

Económico: Investindo no desenvolvimento de soluções “circulares”, desenvolvendo instrumentos fiscais e financiamento de iniciativas que contribuam para a economia circular nomeadamente a implementação de FITEC, a EEA grants e o fundo ambiental.

Consideram-se alvos prioritários de atuação para a promoção da circularidade em Portugal os setores da Fabricação de máquinas, equipamentos e material de transporte, da construção, das metalúrgicas de base e produtos metálicos, do comércio e serviços, do alimentar, bebidas e tabaco e das indústrias extrativas.

Figura 1 - Promoção da Circularidade em Portugal

Fonte: Estudo sobre a Relevância e o Impacte do Setor dos Resíduos em Portugal na Perspetiva de uma Economia Circular - Associação Smart Waste Portugal.

Fontes

Gestão de Resíduos economia Circular, Indústria Ambiente – Revista de informação técnica e Científica. Março/Abril 2017

Estudo sobre a Relevância e o Impacto do Setor dos Resíduos em Portugal na Perspetiva de uma Economia Circular, Smart Waste Portugal, Fev 2017

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