Sem Categoria

O Amianto enquanto contaminante ambiental

O Amianto enquanto contaminante ambiental

O amianto ou asbesto, é a denominação comercial para as fibras minerais metamórficas, que pelas boas caraterísticas térmicas e acústicas, elevada resistência (fogo e agentes externos), baixo custo e possibilidade de transformar em tecido, foram incorporadas em diversos materiais, equipamentos e infraestruturas.

Em Portugal, o uso do amianto teve o auge nas décadas 30/40 e 70/80, em resposta às carências habitacionais resultantes do êxodo populacional, garantindo a proteção anti-fogo, rapidez de execução e baixos custos de construção. Surgem fábricas que utilizam amianto na produção de materiais em fibrocimento (Novinco, Cimianto e Lusalite), para diversas aplicações – depósitos, tanques, autoclismos, reservatórios e condutas para acondicionamento e abastecimento de água, revestimentos, coberturas e caleiras.

Foram também introduzidos produtos e equipamentos com proveniência do exterior (Europa e EUA) para utilização doméstica (toalhas, aventais), para a construção (tetos falsos, revestimentos e isolamentos), equipamentos elétricos e eletrónicos (torradeiras, rádios, fogões), apetrechos e máquinas para a indústria, meios de transporte (barcos e comboios) e outras aplicações não identificadas, pelo que estima-se a sua incorpoção em cerca de 4.000 edifícios e infraestruturas.

Está provada a relação da exposição a fibras de amianto e o impacte na saúde ambiental, com o desenvolvimento de doenças benignas e malignas, como asbestose e fibroses, mesotelioma (cancro na pleura do pulmão) e outros cancros (pulmão, ovário, laringe ou estômago). Esta circunstância motivou a sua proibição na Europa a partir de 2005 e levou a que a OMS alertasse para o facto de «não se conhecem valores limite de exposição a fibras de amianto abaixo dos quais não haja risco cancerígeno». Por outro lado, o Centro Internacional de Investigação do Cancro classifica-o como “carcinogénico” e um estudo das Nações Unidas aponta para que 1 em cada 3 europeus possa estar exposto.

A  larga utilização no séc. XX e a ausência de rastreios sobre a incorporação e avaliação do risco, tem conduzido ao prolongamento da exposição e dos efeitos cancerígenos, estimando-se que até 2030 possam surgir 500.000 novos casos de doenças na Europa. É fundamental saber onde está o amianto, prevenir e monitorizar a população potencialmente exposta, implementar boas práticas para manusear e encaminhar materiais e resíduos, enquadrando-as nas Políticas Europeias que apontam para a sua eliminação até 2032.

Não podemos ignorar que o amianto poderá ser encontrado em espaços privados e utilização pública, que existe ainda muito desconhecimento sobre os riscos associados, que a grande maioria das intervenções são realizadas sem rigor técnico, que a reutilização de materiais com amianto, ainda que proibido, é uma prática corrente e que a proteção dos trabalhadores contra os riscos de exposição no trabalho, atualmente não passam de pura “ilusão”.

10, Novembro 2016

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *